Uma História para Contar

 

O trabalho como terapeuta foi uma curva inesperada, não programada por mim.

É uma imagem que eu nunca imaginei em meus organizados "planos de vida".

Até eu descobrir que a vida não consiste em um plano.

Minha graduação em Belas Artes e Arte-educação no começo dos anos 90, o trabalho com arteterapia e a paixão pelos processos cognitivos sempre me levaram a crer que meu lugar era em uma sala de aula, lecionando.

A primeira vez em que tive contato com o campo da psicologia foi ainda na universidade, estudando simbolismo, quando me deparei com um sedutor livro vermelho de Carl Jung.  Naquele livro enorme, de quase 5kg, à certa altura li o seguinte relato do autor: 

“O diabo é a soma da escuridão da natureza humana.(...) Pelo fato de eu querer viver na luz, o sol desapareceu pra mim quando eu toquei as profundezas (...)Então tirei do diabo a possibilidade da influência, que só pode passar através da própria ‘serpenticidade’ de nós mesmos(...) Assim eu resisti à sua influência destrutiva, peguei-o e segurei-o firme. Seus descendentes me serviram e eu os sacrifiquei com a espada.E assim construí uma estrutura firme. Através dela ganhei estabilidade e longevidade e pude suportar as flutuações do pessoal. E então o imortal em mim está salvo. Atraindo a escuridão do meu outro mundo para dentro do dia, esvaziei meu outro mundo. Assim as exigências dos mortos desapareceram, assim que foram sendo satisfeitas.(...)" 

Terminei aquelas páginas impossibilitada de retornar à pessoa que eu era no início daquela leitura.

Segui, a partir dali, um caminho que sempre buscou conciliar a capacitação profissional e o aprimoramento pessoal, que culminou com o lançamento do livro "Assim na Arte como na Vida", em 2001.

Um divisor de águas nessa trajetória foi a peregrinação, durante 36 dias à pé, pelas trilhas do Caminho de Santiago de Compostela em 2004. Naquelas trilhas da Espanha, sozinha, com uma mochila nas costas e um cajado na mão, comecei a entender e experimentar a essência da força espiritual, o significado de metas,  os desafios do empreenderorismo, da motivação,  da liderança e da superação. Descobri também que não era da minha natureza "não me importar" ou "não me envolver". Ao longo da vida sempre fui criticada por me importar muito com as coisas, com as pessoas. Naquela época quando morava em São Paulo, criei uma comunidade chamada "De quê você precisa hoje?"no então popular Orkut, para apoiar pessoas que se sentiam deprimidas, que estavam atravessando alguma dificuldade, crise ou doença. Desnecessário dizer que não dei conta da demanda, e na falta de quem pudesse ajudar a responder tantas mensagens, lá se foi a comunidade junto com o Orkut.

Mais alguns passos e eu estava me deparando, em 2007, com o processo seletivo para o treinamento em Liderança avançada do Haggai Institute, em Cingapura. No ano seguinte fui convidada a participar da certificação para docência no mesmo instituto, e seguiria dando aulas am Cingapura e em Maui, nos Estados Unidos. 

Ainda não estava claro em meu "plano" qual a ligação entre Arte, Liderança e Espiritualidade. Havia uma peça do quebra-cabeças faltando para a perfeita conexão das partes. Em contrapartida, havia chegado em um ponto produtivo do caminho, lecionando na Universidade, viajando ao exterior para lecionar, com tempo para me dedicar à pintura e escrevendo para uma futura publicação. Havia conquistado um patamar profissinal confortável. Na verdade, confortável demais. E no carnaval de 2012 tudo começou a desmoronar...

Um inesperado diagnóstico de um tumor cerebral inoperável, dores de cabeça avassaladoras, tonturas e a perda gradativa da visão me impossibilitaram de dirigir, lecionar, viajar e até mesmo andar sozinha na rua. Minha rotina passou a ser a incerteza, a dor e a  impossibilidade de continuar no caminho em que eu estava. Foi quando criei o blog  "A Pedra e a Borboleta"  onde passei a publicar meus escritos. Meses de radioterapia, doses pesadas de corticóides para conter o edema (inchaço) cerebral e lá estava eu, diante de um jovem médico da equipe me dizendo que aquilo tudo seria de pouca ajuda no meu caso.

Também fui atendida por excelentes médicos da área,  pessoas realmente especiais, em um hospital que é referência neste tipo de tratamento. Para o  chefe da equipe médica, o resultado do meu tratamento, com poucos dias era, nas palavras dele, "fora da curva", no sentido positivo. Ele, o médico, atribuiu a potencialização desse resultado à forma positiva com a qual eu estava enfrentando a situação. Após o tratamento, era voltar para casa e esperar fazendo acompanhamento da evolução do caso. "Não há garantias", "Há pacientes que vivem por até mais de 5 anos", foram as palavras que ouvi em alguns consultórios. Foi quando ouvi falar em Cura Reconectiva pela primeira vez. 

Ainda lendo à respeito das frequências, minhas mãos começaram a formigar, como se eu estivesse tocando de leve a ponta de muitas agulhas. Um calor muito grande subiu até os cotovelos e eu não compreendia o que estava acontecendo, atribuindo inicialmente  aquela sensação à algum efeito colateral, dos muitos que haviam,  da radioterapia. A leitura não foi suficiente e eu decidi participar do Seminário que aconteceria em São Paulo naquele ano, o primeiro realizado no Brasil. Mas viajar, passar pela rotina intensiva do curso logo após o desgaste da radioterapia...como seria isso? Foram perguntas que surgiram, porém não configuraram impedimento forte o bastante para que eu fosse demovida da decisão de fazer o curso. 

Concluí os três módulos do curso, da Cura Reconectiva e da Reconexão no intuito de fazer uso pessoal das freqüencias, em sessões de autocura, para obter mais qualidade de vida. Não queria apenas viver mais 5 ou dez anos. Queria viver bem, com qualidade, ainda que fosse por um mês apenas. Não era uma questão de "quanto", mas de "como". A perda cognitiva prognosticada no começo não aconteceu, nem a paralisia facial, nem a perda da visão. Para minha surpresa, os processos cognitivos pareceram "acelerar" numa crescente necessidade de buscar conhecimentos e na capacidade de associá-los.

As sessões de autocura me possibilitaram a libertação da administração constante de medicações para as dores de cabeça e condição para enfrentar todo um contexto novo de reconstrução de vida, tanto em dimensão interna como externa. Foi quando surgiu a Fracta Desenvolvimento Humano  através da qual eu poderia compartilhar com outras pessoas toda a experiência adquirida ao longo do caminho. 

Os efeitos da Cura Reconectiva em minha recuperação começaram a gerar demandas ao redor, em pessoas conhecidas e estas começaram a chamar outras que julgavam estar precisando deste recurso para obter alívio e curas. Comecei a atender algumas pessoas eventualmente, sem muito compromisso, já que me tornar terapeuta não estava nos meus "planos". Como eu costumava brincar às vezes, meu temperamento sempre esteve mais para "bater"do que "curar"...

Aproveitei os dois anos de luta e turbulências para aprender mais. Neste trecho do caminho surgiu a hipnose e a busca pelo entendimento das nuances da consciência e do subconsciente. Crises de queda de pressão me levaram à um exame chamado "Tilt test", no qual um cardiologista investiga as oscilações de pressão arterial. Mais de uma vez tivemos que repetir o exame, pois em vários momentos o equipamento não conseguia fazer a leitura, era com estar sem pressão arterial, semelhante à estar "inconsciente" ou em síncope (desmaio). O que ninguém (nem os médicos) entendia nem tampouco conseguia explicar era como isso poderia estar acontecendo comigo uma vez que eu estava consciente, respondia perguntas, apenas não conseguia me locomover. 

Lendo sobre hipnose, a descrição de um caso desenhou uma possível resposta: meu cérebro entrava em freqüencia de transe repentinamente.  Foi quando decidi mergulhar mais nesse universo e participar de cursos de formação em Hipnologia. Novamente o foco era a minha situação, não a atuação como terapeuta. Uma vez terminado o curso, me submeti a uma sessão de hipnose para vivenciar em profundidade o  processo. Não esperava  vivenciar algo daquela magnitude, uma vivência de tal modo libertadora que ao final da sessão me senti com o espírito imensamente leve. Uma sensação de frescor e renovação interior.

A partir desta experiência, os atendimentos tornaram-se um desdobramento natural, e a profissionalização veio como um recurso e ao mesmo tempo uma resposta ao quebra-cabeças cujas partes finalmente poderiam ser conectadas: Arte, Liderança, Espiritualidade, Processos Cognitivos, Comunicação, Superação, Saúde. Todos são pilares que devem ser harmonicamente equilibrados para dar sustentação à uma vida plena, com qualidade. Estes pilares nos tornam capazes de criar soluções, aprender habilidades, estabelecer relações e compreender nosso papel no mundo e como desempenhá-lo com sucesso. A qualidade com a qual arranjamos estes pilares define a nossa qualidade de vida e a condição para o aprimoramento.

Quero auxiliar pessoas a manter estes pilares de suas vidas em equilíbrio e aprimorarem-se, tornando-se pessoas mais fortes, felizes e realizadas. Porque pessoas realizadas e equilibradas constituem comunidades saudáveis, e comunidades saudáveis constroem civilizações evoluídas. Por isso me tornei terapeuta.

 

Contato

Jo Cestari
Espaço Fracta Desenvolvimento Humano, em Fortaleza/CE

Rua Silva Paulet 1163 - Aldeota CEP 60120- 121

Fone: (85) 98539.1969

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